A iniquidade disfarçada de aplicação da lei
Uma investigação cuja finalidade é desmoralizar o inimigo político


Escrito por André Costa para o site: Revista Timeline.
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No último dia 27 de março, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma resolução que proíbe fundos de pensão fechados, como a Previ, Petros e Funcef, de investirem em Bitcoin ou qualquer outro criptoativo com seus recursos garantidores — ou seja, o dinheiro que lastreia as aposentadorias futuras dos trabalhadores.
A justificativa é a de sempre: “prudência, segurança, transparência”. Curioso ouvir isso de quem permitiu que bilhões fossem queimados em empresas estatais corroídas por aparelhamento político, má gestão e corrupção.
O que está em jogo aqui não é proteção, é controle. É o Estado dizendo que o trabalhador não tem o direito de escolher onde investir o que é seu por mérito e contribuição. Mais grave ainda: essa decisão ocorre enquanto o resto do mundo segue o caminho oposto.
Enquanto o Brasil proíbe, os fundos lá fora investem
Nos Estados Unidos, diversos fundos de pensão já alocam parte de seus recursos em Bitcoin. O State of Wisconsin Investment Board (SWIB) investiu mais de US$ 155 milhões no ETF de Bitcoin da BlackRock. O fundo de aposentadoria do Estado de Michigan alocou recursos em ETFs de Bitcoin e Ethereum.
No Reino Unido, fundos assessorados pela Cartwright começaram a alocar até 3% em Bitcoin. Na Austrália, o fundo AMP investiu em futuros de Bitcoin e obteve retorno de mais de 15% em 2024, resultado acima da média graças à diversificação com ativos digitais.
Além disso, estudos simulados por gestoras como a Hashdex mostraram que uma carteira previdenciária com apenas 3% em Bitcoin entre 2020 e 2024 teria aumentado sua rentabilidade média anual de 5,3 para 7,9%, com volatilidade praticamente igual.
Se a Previ tivesse feito isso em 2014, alocado, digamos, 10% do seu patrimônio em Bitcoin, isso representaria cerca de R$ 16,8 bilhões na época. Com o preço médio do Bitcoin era R$ 1.766,00, o fundo poderia ter comprado cerca de 9,5 milhões de Bitcoins. E hoje, com o Bitcoin cotado a mais de R$ 400 mil, essa posição valeria algo em torno de R$ 3,94 trilhões. Isso mesmo: trilhões. Um crescimento superior a 23.000%.
Enquanto isso, se tivesse mantido esses mesmos 10% em renda fixa ou ações tradicionais com rendimento médio de 10% ao ano, o montante teria chegado, no máximo, a R$ 43 bilhões. E essa diferença brutal mostra o quanto o cidadão brasileiro está sendo privado da oportunidade de preservar e multiplicar seu patrimônio.
A questão não é técnica, é ideológica, política. E é perigosa. O governo brasileiro, ao mesmo tempo em que acelera a implementação do DREX — o real digital controlado por uma blockchain estatal —, proíbe o acesso institucional ao Bitcoin, único ativo digital verdadeiramente descentralizado e que não pode ser confiscado.
Não se trata de segurança. Trata-se de impedir que o brasileiro tenha soberania sobre o próprio dinheiro. Trata-se de manter o rebanho preso ao curral dos títulos públicos, do Tesouro Direto, da SELIC e das narrativas de sempre. Assim, enquanto os fundos internacionais colhem os frutos da ousadia e da liberdade, o Brasil retrocede. E quem paga a conta, mais uma vez, é o cidadão.
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